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Alicerces
Av. Alagoas s/n
Palmeira dos Índios
57601-220
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E-mail: alicerces.edificacoes@gmail.com
Por: Iasmyn Campos, Renaldo Oliveira e Kaline Epifánio.

Laura Emília, estudante do 2º ano de eletrotécnica no IFAL- Campus Palmeira dos Índios
Alicerces: Como você descobriu esse programa e por que resolveu participar?
Laura: Foi pelo professor José Assis, professor de Inglês do IFAL, ele falou comigo e disse que eu tinha o perfil do programa.
Alicerces: Quantas fases o programa teve e em quantas você conseguiu passar?
Laura: O concurso tinha 5 fases, eu passei em 4.
Alicerces: Como você se sente em ter sido privilegiada de ter chegado à quarta fase?
Laura: Senti-me realizada de pelo menos ter tentado, mas é claro que eu queria ter sido escolhida para ir para os EUA.
Alicerces: Você teve o apoio da sua família e amigos para realização desse trabalho?
Laura: Tive sim, não só da minha família como também de muitos professores, principalmente da professora Vanúsia,
Alicerces: Qual foi a maior dificuldade que você encontrou nessa experiência?
Laura: Foi a prova escrita, pois mesmo sendo com perguntas simples exigia um bom vocabulário em inglês e também a última fase a de esperar o anúncio para saber quem seriam os jovens escolhidos.
Alicerces:Os nordestinos ainda sofrem muito preconceito no sul do país, você acha que esse tabu pode ser quebrado pelo fato de você está se destacando cada vez mais?
Laura: Sim é claro, mas acho que temos que dar mais importância ao que o estado está fazendo do que com este preconceito que o sul tem contra nós, mas eu tenho consciência de que o nordeste é tão valioso ou até mais desenvolvido culturalmente do que o sul e sudeste. Quem faz a escola é o aluno e independente do estado em que se vive, o sucesso vêm através do esforço de cada um.
Alicerces: O que você tirou de lição desse projeto? Deixe um recado para quem almeja o mesmo sonho que o seu.
Laura: Tirei o amadurecimento, a sabedoria de ter a consciência de que nada acontece se não for o tempo certo e o recado que eu deixo é um trecho de uma música do Detonautas: Não vou deixar que alguém conquiste o impossível por mim.
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Por: Iasmyn Campos, Renaldo Oliveira e Kaline Epifánio.

Jackson Furtuoso da Silva, 16 anos
Aluno do curso de eletrotécnica e pesquisador do Instituto Federal de Alagoas - Campus Palmeira dos Índios.
Alicerces: Qual a categoria para qual você escreveu no concurso “Jovem Escritor”? E porque escreveu para essa categoria?
Jackson: Para artigo de opinião. Porque era e é a categoria que mais me identifico.
Alicerces: Do que se tratou o trabalho que lhe fez ganhar o 5º lugar no concurso?
Jackson: O artigo fala sobre como nossa sociedade tem se comportado quanto à cidadania que é, indiscutivelmente, um dos mais importantes pilares de qualquer sociedade.
Alicerces: O que você diria para aqueles que foram seus concorrentes e não conseguiram ficar entre os cinco primeiros?
Jackson: Que a colocação no concurso não tem grande significado, claro que tanto eu, como todos que estavam concorrendo, sempre temos de nos dedicar cada vez mais para que uma boa colocação venha como conseqüência de nossos esforços, mas o que realmente teve importância neste concurso foi fazer com que nos lembrássemos de nossos direitos e deveres enquanto cidadãos brasileiros, partindo dai, constatar que existe algo de errado em nosso país e que ninguém além de nós tem a responsabilidade corrigir esse erro.
Alicerces: Quando você escreve, você inspira-se em algum escritor?
Jackson: Tem um comentarista e apresentador do Jornal Nacional, do Bom Dia Brasil em especial que eu admiro muito, o nome dele é Alexandre Garcia. Ele não é um grande escritor contemporâneo, no entanto, em contra partida, possui um currículo invejável. A forma de expressar sua opinião sempre de maneira categórica e muito bem embasada é o que mais chama minha atenção a seus textos e é o que mais admiro em qualquer escritor e o que busco para meus textos.
Alicerces: Você acha que a escola deveria promover mais concursos como estes? E qual a importância que o mesmo poderia trazer para toda a escola e para os próprios alunos?
Jackson: Sim. Veja bem, o objetivo da escola, antes de mais nada, deve ser ensinar uma pessoa a viver em sociedade com responsabilidade e cidadania. Concursos como o Jovens Escritores incentivam o aluno a olhar para dentro de si, vê qual é sua maior habilidade de expressão, se a poesia, se o artigo de opinião, se a crônica e trazer ao meio em que está inserido sua opinião sobre qualquer tema proporcionando tanto o engrandecimento da sociedade em que vive como também seu engrandecimento pessoal.
Alicerces: Que conselho você daria para estimular a escrita daquelas pessoas que não têm facilidade para escrever?
Jackson: Comecem a escrever sobre o que gostam. Coisas simples, como por exemplo, jogos, filmes, revistas, novelas e etc, assim será fácil adquirir habilidade de escrever não se esquecendo de estar sempre informado sobre o que está acontecendo a sua volta, o que é muito simples, basta dedicar uma hora de seu dia a assistir ou ler um bom jornal. O sucesso na escrita virá simplesmente como conseqüência.
Abraços,
Jackson Furtuoso
A educação liberta e torna a vida melhor, nos livra da ignorância, que é a condenação à vida difícil.
Alexandre Garcia
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Ação e efeitos do álcool
Dr. Ronaldo Laranjeira é médico, coordenador da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas na Escola Paulista de Medicina na Universidade Federal de São Paulo e com PhD em dependência química na Inglaterra.
Quando se fala em dependência química, a preocupação maior é com as drogas ilícitas, cocaína, maconha, crack, ecstasy, entre tantas outras. No entanto, o grande inimigo está camuflado sob o manto do socialmente aceitável. O álcool nem sequer é considerado uma droga que causa dependência física e psicológica por grande parte da sociedade. Sua venda é livre e ele integra a cultura atual ligada ao lazer e à sociabilidade. Uma reunião em casa de amigos, o happy hour depois de um dia estafante, a balada de sábado à noite, a paradinha no bar na saída do escritório não têm sentido sem a bebida alcoólica.
O efeito relaxante das doses iniciais, porém, desaparece com o aumento do consumo. Se o convívio com uma pessoa embriagada incomoda, isso não é nada diante dos males que o álcool pode causar e que não se restringem às doenças do fígado. A labilidade emocional que num instante transforma o alcoolista risonho num indivíduo violento é responsável não só pelo aumento da criminalidade, mas também pela desestruturação de muitas famílias.
Beber com moderação é possível, mas raros são os que reconhecem estar fazendo uso abusivo e nocivo do álcool. Muitos ainda não são dependentes, mas incorrem em riscos que deveriam e poderiam ser evitados. Não se pode esquecer de que a grande maioria dos acidentes de trânsito ocorre quando está no volante uma pessoa alcoolizada.
METABOLISMO DO ÁLCOOL
Drauzio – Ninguém injeta álcool na veia. A partir do momento em que a bebida cai no estômago, qual é o trajeto do álcool no organismo?
Ronaldo Laranjeira – O álcool é absorvido rapidamente pelo estômago e duodeno e, em instantes, cai na circulação sanguínea. Na primeira passagem pelo fígado, começa a ser parcialmente metabolizado, ou seja, o organismo procura formas para livrar-se dele, destruindo suas moléculas e expelindo pequena porcentagem delas pela urina, suor, hálito, etc. O que sobra desse metabolismo inicial vai exercer sua ação em todo o organismo, pois são necessárias várias passagens pelo fígado para que ele seja destruído completamente.
É no fígado, portanto, que a estrutura química do álcool é alterada e ele é decomposto em gás carbônico e água.
Drauzio – Quer dizer que a capacidade de o fígado destruir o álcool é limitada?

Ronaldo Laranjeira – É limitada, mas constante. Leva mais ou menos uma hora para o fígado metabolizar um copo de vinho e não há nada que se possa fazer para acelerar esse processo. Então, se a pessoa tomou dez copos de vinho, vai ficar com álcool no sangue por pelo menos dez horas. As pessoas perguntam se glicose ou café forte, por exemplo, ajudam a eliminar o álcool mais depressa. Isso não acontece sob hipótese alguma.
Drauzio – O fígado tem a capacidade de metabolizar um copo de vinho por hora. Um copo de vinho equivale a uma latinha de cerveja ou a uma dose de destilado…
Ronaldo Laranjeira – Equivale a uma dose bem pequena, 50ml de destilado. É o que cabe naqueles medidores convencionais usados em bares ou em uma xícara pequena de café. Esse é o tamanho da dose da qual o organismo consegue livrar-se em uma hora.
Se alguém bebeu demais e está inconveniente, a tendência das pessoas ao redor é colocá-lo debaixo do chuveiro e enchê-lo de café forte. No entanto, o máximo que conseguem com tais medidas é ter um bêbado desperto, porque ele continuará alcoolizado. No caso de intoxicação alcoólica, o melhor é deixar a pessoa dormir o tempo necessário para livrar-se do álcool que bebeu em excesso.
Ter conhecimento dessas características do metabolismo do álcool é muito importante para estabelecer um parâmetro em relação ao beber e dirigir. Quem bebeu um copo de chope ou de vinho deve esperar pelo menos uma hora para poder dirigir um automóvel com mais segurança.
Drauzio – É uma pena, mas ninguém respeita essa limitação.
Ronaldo Laranjeira – Ninguém faz isso e todos pagamos alto preço por esse descaso. O número de mortes de jovens relacionadas ao beber e dirigir é muito grande. Os dados são assustadores. Cerca de 50 mil brasileiros morrem por ano nesse tipo de acidente, mais ou menos o mesmo número de soldados mortos na Guerra do Vietnam. Essas informações devem ser enfatizadas até se integrarem no dia a dia das pessoas para que elas se conscientizem e se programem corretamente. Se vão a um restaurante ou a um bar e bebem dois ou três copos de vinho ou de cerveja, precisam saber que o melhor é esperar o efeito do álcool desaparecer antes de pegar o carro outra vez ou, então, deixar que outra pessoa dirija em seu lugar.
Drauzio – Você disse que metabolizamos um copo de vinho por hora e que, se tomarmos dez copos de vinho, somente em dez horas o fígado se livrará de todo o álcool ingerido. Ele consegue eliminar o álcool ingerido completamente?
Ronaldo Laranjeira – Em geral, consegue. No entanto, se o fígado for continuamente estimulado por longos períodos de exposição ao álcool, nem sempre dará conta de eliminá-lo por completo sem ser lesado. Dentro do processo de entrar álcool e sair CO2, existe a formação de uma substância intermediária, o acetaldeído, que é muito mais tóxica e lesiva para o fígado e para o organismo como um todo do que o próprio álcool.
Drauzio – Você disse que o álcool é absorvido pelas paredes do estômago, cai na circulação e na primeira passagem pelo fígado é parcialmente destruído. Para onde vai o que sobra desse metabolismo inicial?
Ronaldo Laranjeira – Na realidade, o álcool é uma droga que age do fio de cabelo até o dedão do pé, mas a ação farmacológica inicial mais identificável é o efeito cerebral caracterizado por certo torpor e sensação de relaxamento. Em doses baixas, o efeito pode ser até agradável. No entanto, se as doses forem aumentadas agudamente, além do efeito relaxante ocorre torpor mais intenso e até coma alcoólico, que é raro, mas não improvável.
EFEITO DO ÁLCOOL NOS CIRCUITOS CEREBRAIS
Drauzio –O rapaz chega na festa um pouco ansioso, não conhece as pessoas, toma o primeiro copo de vinho ou de um destilado qualquer, fica um pouco mais relaxado, começa a conversar e se integra socialmente com mais facilidade. O que aconteceu em seu cérebro que justifica essa mudança?
Ronaldo Laranjeira – O álcool age em vários sistemas químicos cerebrais. Sua primeira ação é sobre a química do controle da ansiedade, o sistema GABA. A pessoa fica mais relaxada, tende a filtrar os estímulos e por isso interage melhor com os outros. Se ela chegou à festa muito ansiosa, com medo de ser criticada ou de estabelecer relações, uma pequena dose de álcool irá relaxá-la um pouco e a tornará menos perceptiva em relação aos outros e mais em contato consigo mesma.
O álcool é uma substância complexa com ação farmacológica muito variada. A partir do momento em que o consumo aumenta, ele pode agir não só no sistema de relaxamento, mas em outros sistemas do cérebro. Dependendo da quantidade ingerida e da química cerebral de cada pessoa em particular, o relaxamento inicial pode dar lugar à sonolência ou a muita agressividade.
Drauzio – O bêbado é sempre muito emotivo.
Ronaldo Laranjeira – Fica muito emotivo e chora com facilidade. Essas diferenças de ação do álcool variam muito de pessoa para pessoa de acordo com a química cerebral de cada uma.

Drauzio – Os estágios são sempre os mesmos? Primeiro o álcool age sobre a química que produz relaxamento e depois caminha por outros circuitos cerebrais?
Ronaldo Laranjeira – Nem todo o mundo reage da mesma forma. A maioria responde a baixas doses de álcool com relaxamento leve e agradável. Uma minoria, porém, mesmo com baixas doses, fica muito violenta. Meio copo de cerveja pode desencadear reações totalmente descontroladas. É o que se chama de intoxicação patológica.
FORMAS DE BEBER
Drauzio – A forma de beber pode produzir resultados diferentes? Por exemplo, beber mais depressa ou mais devagar determina alguma diferença em termos de efeito do álcool no organismo?
Ronaldo Laranjeira – Vários fatores podem facilitar ou não a absorção do álcool. Obviamente se a pessoa beber de estômago vazio, a absorção será muito maior. Por isso, muitos costumam tomar uma colher de azeite ou comer uma barra de chocolate antes do primeiro trago. Esses truques funcionam porque a gordura ou o alimento dificultam a absorção do álcool pelas paredes do estômago.
Drauzio – Quer dizer que “forrar o estômago” antes de beber funciona?
Ronaldo Laranjeira – Funciona. Se a pessoa quiser beber, é sempre melhor que o faça depois de uma refeição, porque não só a absorção do álcool será menor como será menor sua vontade de beber. No entanto, o costume é fazer exatamente o contrário: as pessoas bebem de estômago vazio. O aperitivo sempre vem antes do almoço ou do jantar. No caso da caipirinha tomada antes do almoço, por exemplo, somam-se os seguintes inconvenientes: estômago vazio, bebida destilada e com açúcar. Pinga é um destilado e destilados são absorvidos mais depressa do que bebidas fermentadas como cerveja e vinho, e o açúcar acelera ainda mais o processo de absorção. Por isso, o efeito do champanhe doce é mais rápido do que o do vinho seco.
Drauzio – Mesmo tendo a mesma quantidade de álcool o efeito é diferente se a bebida for doce?
Ronaldo Laranjeira – Champanhe e os outros vinhos têm mais ou menos a mesma concentração alcoólica, 12%, mas o champanhe é absorvido mais depressa também por causa do gás carbônico que lhe empresta a característica efervescente.
Beber depressa, com o estômago vazio e bebidas destiladas, doces ou gaseificadas (com bolhinhas) são fatores que facilitam a absorção do álcool. E tem mais: mulheres absorvem álcool mais depressa do que os homens. Como possuem maior conteúdo de gordura, a concentração de água no organismo é menor e a de álcool tende a ser maior. Desse modo, nelas o efeito é mais rápido e os danos provocados nos diversos órgãos, mais intensos do que nos homens, mesmo que ambos tenham peso corporal idêntico e ingiram quantidade semelhante de álcool.
Drauzio – Você disse que tomar uma colher de óleo ou comer alguma coisa antes de beber reduz a velocidade de absorção do álcool. Tem gente que toma água junto com a bebida. Isso faz alguma diferença?
Ronaldo Laranjeira – Faz diferença, uma vez que ajuda a diluir a concentração de álcool. No uísque, por exemplo, a concentração é de 40%. Isso que dizer que 40% do volume de uma dose de uísque é álcool puro. Se a pessoa colocar gelo ou água na bebida ou intermediar goles de uísque com goles de água, estará de alguma forma diluindo o volume alcoólico ingerido.
Drauzio – E estará também bebendo mais devagar.
Ronaldo Laranjeira – Exatamente. Intermediar goles de bebida com goles de algum outro líquido, por exemplo, água ou refrigerante, é uma das estratégias recomendadas para as pessoas que vão beber destilados. Faz diferença beber a mesma dose de destilado de uma só vez e bebê-la ao longo de uma hora intercalando goles d’água, porque a absorção se torna mais lenta.
PADRÃO DE CONSUMO
Drauzio – Acho que quem bebe, bebe sempre por prazer, mas há pessoas que bebem quantidades menores e devagar saboreando a bebida, enquanto outras viram o copo de uma só vez, mais interessadas no efeito do álcool no organismo. Essas têm mais tendência a desenvolver alcoolismo?

Ronaldo Laranjeira – Sem dúvida. O alcoolismo está fundamentalmente associado à ação farmacológica do álcool no cérebro. Quanto mais rápida for essa ação, maior a possibilidade de o efeito poderoso e reforçador do álcool desenvolver uma série de mudanças químicas no cérebro que produzirão a dependência.
Isso vale para todas as drogas. Quanto mais rápida a absorção, maior o potencial de gerar dependência. Veja o exemplo do crack e da cocaína. O crack nada mais é do que pedras de cocaína fumadas num cachimbo. Como a fumaça em segundos atinge o cérebro, o crack causa muito mais dependência do que a cocaína consumida por via nasal.
A mesma coisa acontece com o álcool. Se a pessoa beber um destilado de uma só vez, a absorção é rápida assim como é rápido o efeito, e o potencial desse padrão de consumo gerar dependência é muitas vezes maior do que o dos degustadores de vinho, que fazem do beber sua profissão, já que experimentam o vinho, analisam sua complexidade e jogam fora o álcool para evitar intoxicação. Por isso, o padrão de consumo de uma substância, às vezes, é mais importante do que a própria substância para provocar dependência.
Drauzio – Por que em geral os alcoólicos preferem destilados a qualquer outro tipo de bebida?
Ronaldo Laranjeira – À medida que a pessoa vai ficando dependente, desenvolve a necessidade de obter o efeito mais rápido e poderoso do álcool. Quanto mais valoriza o efeito farmacológico do álcool, mais se aproxima do espectro da dependência. Saborear um vinho vira coisa sem significado, porque a bebida deixa de ser uma das inúmeras fontes de prazer e se torna uma necessidade.
Drauzio – Qual a diferença fundamental entre o padrão de consumo do bebedor ocasional e o padrão daquele com risco de desenvolver alcoolismo?
Ronaldo Laranjeira – O bebedor ocasional de alguma forma limita muito bem as situações em que vai beber. É a pessoa que bebe durante o jantar num dia, mas passa outros em tranquila abstinência. Além disso, tem um repertório amplo e diversificado de atividades que lhe proporciona prazer. Ela corre, lê, vê televisão, vai ao cinema, faz esporte, etc.
Nas pessoas que tendem a desenvolver dependência, esse repertório de prazer vai-se restringindo progressivamente até que o álcool (ou qualquer outra droga) se transforma em sua principal fonte de prazer. São pessoas, por exemplo, que não conseguem imaginar uma festa sem álcool. Na realidade, a festa deveria representar a oportunidade de encontrar amigos, usufruir ambiente agradável e o álcool ser apenas um detalhe a mais dentro desse contexto, mas para elas é o único prazer. Elas podem até deixar de ir à festa para ficar bebendo com um grupo de companheiros e não concebem um final de semana sem estarem chapadas. Torna-se predominante esse tipo de padrão de consumo que busca o prazer poderoso e fácil que a substância produz, e perde a importância o prazer de usar o álcool dentro de certo ritual contemporâneo socialmente aceito.
Essa grande diferença começa a provocar um empobrecimento na vida das pessoas que acabam desconsiderando todas as fontes ricas de prazer do dia a dia e apenas valorizam o efeito obtido por meio de uma substância química, no caso, o álcool.
Drauzio - É desagradável conversar com uma pessoa alcoolizada. Articula mal as palavras e o pensamento fica comprometido. O que acontece com a estrutura do raciocínio nessas pessoas?
Ronaldo Laranjeira – O efeito paradoxal do álcool no cérebro é a falsa sensação de certa euforia e bem-estar que ele produz. A tendência é a pessoa imaginar que está falando coisas muito interessantes, perseverar na repetição das ideias e rir do que não tem graça. Seu pensamento fica empobrecido, mas ela não se dá conta disso.
É muito ruim o convívio de quem não bebeu com alguém que esteja alcoolizado. O processo mental de pensar, sentir, raciocinar, planejar fica marcantemente alterado sob o efeito do álcool. Alcoolizadas as pessoas não elaboram emoções nem pensamentos complexos, porque desenvolvem certa rigidez de pensamento. Por isso, pessoas intoxicadas alegres e felizes podem tornar-se violentas num instante se algo estranho ou diferente acontecer, uma vez que perderam a agilidade e a flexibilidade do pensamento. Isso explica um pouco o número significativo de mortes que ocorre em bares da periferia de São Paulo. Os homens estão bebendo aparentemente em paz, mas basta que alguém fale mal do time do coração de um deles para que este saque o revólver e dispare um tiro. É uma situação de violência provocada pelo conceito cultural de lazer ligado aos bares e pela ação farmacológica do álcool que engessa muitos processos mentais.
ÁLCOOL E MEMÓRIA
Drauzio – Quais os efeitos do álcool sobre a memória?
Ronaldo Laranjeira – Os danos que o álcool produz a médio e longo prazo no organismo são os mais importantes. As pessoas em geral se preocupam com o efeito do álcool no fígado, mas o dano que ele provoca no cérebro, especificamente na memória, é muito mais grave e mais comum. Exames neuropsicológicos que avaliam a memória e outras funções cerebrais em pessoas não necessariamente dependentes de álcool, mas que tomam três doses de uísque por dia, comprovam a existência de danos sutis na memória e na rigidez do pensamento, que elas não percebem ou atribuem ao processo natural do envelhecimento. A evolução pode ser lenta, mas o uso nocivo do álcool dentro desse padrão médio de consumo já acarretou com certeza distúrbios cerebrais.
Drauzio – Na intoxicação aguda, isso é muito nítido. Muitas vezes, a pessoa não se lembra do caminho que fez para chegar em casa, nem de nada que fez enquanto estava embriagada.
Ronaldo Laranjeira – Esse fenômeno se chama black-out ou apagamento. Parece que o álcool inunda algumas áreas do cérebro e produz esse efeito. Esse é um momento bastante perigoso na vida dessas pessoas, porque ocorreu um dano cerebral agudo que as expõe a grandes riscos. Dirigir automóvel intoxicada dessa forma, por exemplo, aumenta enormemente a probabilidade de acidentes graves, porque os reflexos são toscos e as reações lentificadas.
ABSORÇÃO DO ÁLCOOL NOS DOIS SEXOS
Drauzio – Um trabalho americano mostrou que, se uma mulher tomar uma cerveja, o efeito será igual ao do homem que tomou duas cervejas. Essa proporção está correta?
Ronaldo Laranjeira – É mais ou menos isso. O efeito de uma cerveja no corpo de uma mulher equivale ao efeito de duas cervejas tomadas por um homem de mesmo peso corpóreo que ela.
Drauzio – É uma diferença muito grande. Imagine uma mulher miudinha e um homem grandalhão bebendo a mesma quantidade de álcool. Nela o estrago será muito maior.
Ronaldo Laranjeira – É verdade. Por isso, mesmo que o tempo de ingestão e a quantidade ingerida sejam parecidos, nas mulheres que procuram tratamento por causa de problemas com o uso do álcool, os danos biológicos são muito maiores do que nos homens. Esse é um fator importante a considerar. A socialização da mulher que hoje transita por bares e festas com mais naturalidade colocou-a em contato com a bebida à semelhança do que ocorreu com a população masculina. Resultado: número significativo de moças está se expondo mais aos danos biológicos do álcool.
Retirado do site oficial do Dr. Drauzio Varella.
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Produzir e consumir em harmonia com a natureza
Viver em harmonia com a natureza é ter compromisso e responsabilidade tanto com as gerações atuais e com todos os seres vivos, sobretudo aqueles mais desprotegidos e excluídos, como também com as futuras gerações.
Sobre esse tema, que será amplamente debatido durante a Campanha da Fraternidade 2011, conversamos com Euclides André Mance.
Por: Euclides André Mance,
do Instituto de Filosofia da Libertação e do Portal Solidarius, Curitiba, PR.
Mundo Jovem: O que está acontecendo com o nosso planeta atualmente?
Euclides André Mance: Em dois bilhões de anos a natureza foi diversificando a vida complexa, gerando uma grande biodiversidade em todo o planeta. A emergência da espécie humana faz parte desse percurso. O nosso coração que bate é parte da natureza. O sangue que circula pelo nosso corpo é parte da natureza. Mas o capitalismo converteu a natureza em capital natural. Converteu a vida em algo que deve gerar lucro, para que alguns possam acumular mais riquezas, não se importando se o equilíbrio dos ecossistemas está sendo degradado.
Essa lógica de negação da dimensão natural da existência humana, essa cultura de subordinar a vida à acumulação de capital levou a um processo de degradação dos ecossistemas em todo o planeta. Milhares de espécies estão sendo extintas. A vida humana está sendo ameaçada. Mais de um bilhão de pessoas passam fome no mundo e as tecnologias insustentáveis continuam a se desenvolver de forma cada vez mais danosa aos ecossistemas.
Mundo Jovem: Podemos afirmar que vivemos uma crise ecológica?
Euclides André Mance: Exatamente. E precisamos compreender, em primeiro lugar, que a nossa vida depende do ar que a gente respira, depende da água que a gente bebe, depende da comida que nos alimenta e que se transforma em nosso sangue, em nosso corpo. Sem essa percepção de que somos parte da natureza, não haverá solução para a crise ecológica.
Em segundo lugar, é necessário superar a lógica econômica que reduz a natureza a um recurso a ser explorado como capital natural. A vida que, durante dois bilhões de anos veio se diversificando, se sustentando e se reproduzindo em tantas formas diferenciadas, corre o risco agora, em algumas décadas, de marchar para a extinção de milhares de espécies devido aos impactos do desenvolvimento tecnológico insustentável nos ecossistemas, com o efeito estufa, com as chuvas ácidas, com toda a degradação do solo, com o progressivo esgotamento de ciclos naturais autopoiéticos (que se sustentam).
Mundo Jovem: Que alternativas temos?
Euclides André Mance: É fundamental praticar um outro tipo de consumo e de produção, que sejam sustentáveis. É a relação solidária entre as pessoas para o bem-viver de todos que deve dar sentido e limite à consumação das coisas e à proteção dos ecossistemas. Os produtos e serviços devem ser compreendidos como meios materiais para a realização do bem-viver. Não se trata de consumir para ostentar poder. Mas de consumir para realizar o bem-viver das pessoas e coletividades, em equilíbrio e harmonia com os ecossistemas.

A economia solidária é uma alternativa, pois ela é economicamente viável, socialmente justa e ecologicamente sustentável. É preciso modificar a forma de consumo. Parar de consumir produtos que são tecnologicamente danosos ao planeta. Quando nós compramos um produto da economia solidária, a riqueza gerada vai ser distribuída entre os trabalhadores, em empreendimentos que não têm nem patrão, nem empregado. E esses valores vão ser utilizados para promover o bem-viver dos trabalhadores e consumidores, das comunidades, das pessoas, de modo tal a assegurar a vida de cada um e o direito à felicidade.
É preciso também, com a economia solidária, reorganizar as cadeias produtivas de modo que as energias utilizadas sejam renováveis; que o processo de comercialização seja feito de modo a efetivá-lo como um encontro entre pessoas; que se perceba que em cada produto existe vida humana realizada, e que essa vida humana é absorvida quando nós consumimos esses produtos.
Mundo Jovem: A pobreza também pode ser considerada um desequilíbrio ecológico?
Euclides André Mance: Com certeza. A ecologia deve ser compreendida em suas várias dimensões. Félix Guattari falava de uma ecologia ambiental, social e mental, por exemplo. Quando organizamos ecologicamente os fluxos econômicos em um território, todas as pessoas integradas ao meio ambiente natural e social devem ter condições de obter os meios materiais e simbólicos requeridos para a realização de sua vida nessas dimensões, assegurando-se eticamente o seu bem-viver. Isso significa o direito a um ambiente saudável, ao alimento, vestuário, habitação, educação, saúde, lazer e tudo o que seja requerido à realização ecologicamente sustentável de sua vida humana; direito à vivência de relações sociais solidárias e respeitosas quanto à diversidade de culturas.
Mundo Jovem: É possível “viver bem”, como você fala, sem consumir muito ou cada vez mais?
Euclides André Mance: O consumo é intrínseco a todo ser vivo. Os seres humanos não podem, por exemplo, viver sem respirar. E respirar é consumir oxigênio. Durante todo o dia estamos consumindo as reservas de energia com as quais nos nutrimos. A questão fundamental é reduzir toda forma de consumo insustentável e excessivo e ampliar o consumo sustentável para a realização do bem-viver de maneira equilibrada em relação aos ecossistemas. As pessoas que passam fome no mundo e estão desassistidas dos meios materiais necessários ao seu bem-viver precisam consumir mais, para que possam realizar com dignidade o bem-viver. Por outro lado, as pessoas que consomem de maneira excessiva devem modificar seus hábitos de consumo, para que sejam hábitos sustentáveis. Isso significará consumir menos, mas consumir melhor, ampliando sua qualidade de vida com a redução do consumo insustentável. O bom da vida é consumir para o bemviver. Não é viver para consumir aquilo que o capital espera que consumamos, para que se realizem os lucros das empresas que azem todo o possível para nos vender coisas e serviços que, de fato, não necessitamos.
Mundo Jovem: Como o jovem, que vive sob a pressão da propaganda e do consumo, vai mudar de mentalidade?
Euclides André Mance: A primeira coisa é perceber onde investimos nosso desejo. O tempo todo somos seduzidos e persuadidos a comprar. A juventude é muito suscetível a essa mobilização do desejo. E quando esses desejos seduzidos não se realizam, tem-se a frustração. Mas a mercadoria oferecida como condição de satisfazer o desejo também não aplaca a ânsia do consumo, pois uma nova publicidade gera um novo desejo. E assim a subjetividade do consumidor vai sendo produzida pelas semióticas do capital. Os imaginários são explorados e as utopias agenciadas para mover à compra e realizar o lucro das empresas. O fundamental é justamente investir nosso desejo naquilo que realmente realize o nosso bem-viver. Os desejos singularizantes da vida, em geral, estão associados a vivências realmente humanizadas que temos na relação com outras pessoas que nos desejam por aquilo que somos e não por aquilo que temos. Que gostam da gente e não das coisas que temos. A singularização do desejo deve vir acompanhada de uma elaboração mental, emocional e ene gética em torno do bem-viver de cada qual, que será diverso a cada pessoa, em cada cultura.
Mundo Jovem: A escola pode ajudar nessa mudança de mentalidade?
Euclides André Mance: Com certeza. A escola pode ter um importante papel ao desencadear essa subjetivação que rompe com as semióticas do capital e dá vazão a desejos singularizantes em processos de encontros entre as pessoas, refletindo sobre suas aspirações e utopias de vida. A problematização e o diálogo a respeito dos jogos da publicidade e de como as pessoas são derrotadas nesses jogos - na medida em que seduzidas por eles se afastam do seu próprio bem-viver pessoal e singular para atender aos apelos de consumo alienados - são ações pedagógicas importantes de serem realizadas nas escolas. Refletir sobre o consumo responsável e solidário, sobre a economia solidária, que gera os meios econômicos de maneira sustentável e democrática, colabora para essa mudança de mentalidade. Mais do que fazer apenas uma crítica, o importante é um trabalho pedagógico que contribua para a desalienação não só da consciência mas especialmente dos desejos, da sensibilidade, desencadeando novas atitudes.
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